sábado, 3 de março de 2012

As grandes frases folclóricas do futebol que ninguém disse


Após o 'só bate quem erra' de Mateus, pérolas antigas têm autoria negada por Nunes e Jardel, que já processou até revista. Peu assume: 'Errei, errei'.

Por GLOBOESPORTE.COMRio de Janeiro

Mateus não estava em Belém "orgulhoso por jogar na terra em que Jesus Cristo nasceu". O volante do Caxias nem considerou que "clássico é clássico e vice-versa" ou saiu de campo dizendo que a "quando o jogo está a mil, a naftalina sobe". Sequer reclamou da arbitragem afirmando que "é caso de Polícia Federal, de FMI". Também não tentou justificar o pênalti perdido contra o Novo Hamburgo, na final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho, em duas palavras: "A zar." Mas, ao afirmar que "só bate quem erra", também virou folclore dos "grandes frasistas" do futebol.
O time poderia, caso fossem confirmadas as autorias, ser escalado com Manga, Fábio Baiano, Fabão, Valdson e Marinho Chagas; Biro-Biro, Peu e Pelé; Garrincha, Nunes e Jardel. No banco, Claudiomiro, Dimba, Dadá Maravilha, Zanata, Mengálvio e até um português, João Pinto. Uma seleção à qual é atribuído vasto repertório de tropeços no idioma, confusões e tiradas divertidas. Afinal, após os 90 minutos de uma partida - ou até antes -, tudo é possível diante dos microfones da TV e do rádio ou dos gravadores de jornais, revistas e sites.
ilustração frases futebol (Foto: arte Esporte / Cláudio Roberto)Excesso de microfones cria tensão e leva ao erro, dizem jogadores (Foto: arte Esporte / Cláudio Roberto)
É claro que alguns casos, com o tempo, nem são tão confiáveis por serem creditados a mais de um jogador. E poucos assumem a autoria. Alguns ex-atletas a negaram com veemência, como Nunes, atacante do Flamengo nos anos 1980, e Jardel, decisivo no Vasco, Grêmio e Porto. Quem reconheceu a "culpa" não escondeu a tensão com o forte assédio por uma declaração bombástica que acaba sendo por vezes trágica.
- Eu ficava nervoso mesmo, confesso. Já era gago, o que me complicava ainda mais. Quando via aquela quantidade enorme de repórteres  em cima de mim, me enrolava todo. Uma vez, o Kleber Leite (ex-presidente do Flamengo), na época repórter, veio me entrevistar. Fez tanta pergunta que eu me enrolei. E aí acabei dizendo que perdi muitos gols, mas não tive oportunidade nenhuma. Na outra vez, com o mesmo Kleber, eu gaguejei na primeira resposta: 'Eu gggggg...' Ele fez outra pergunta: 'Eu aaaaaa.....' Ele desistiu e disse 'É isso aí, Peu, muito obrigado!'. Fazer o quê? Errei, errei - disse o ex-jogador do Flamengo nos anos 1980.
peu festa flamengo mundial festa (Foto: André Durão/Globoesporte.com)Peu confessa erros ao microfone: 'Eu me enrolava
todo' (Foto: André Durão/Globoesporte.com)
Peu era vítima de várias pegadinhas dos jogadores do Flamengo. Zico, Junior, Raul e Leandro sempre gostavam de brincar com o então garoto que chegou de Maceió. Histórias como a do avião, em que Junior, na viagem para a decisão do Mundial de Clubes em Tóquio, convenceu o alagoano a raspar o bigode que seria proibido no país do Oriente, ajudaram a dar mais sabor ao folclore. Tudo no maior bom humor.

- Muita coisa eu falava errado porque não conhecia. Uma vez eles me levaram para a sauna. Ficaram batendo papo, e aquele vapor aumentando. Eu não sabia daquilo. Comecei a reclamar do calor. Eles continuavam conversando. Aí, teve uma hora que eu estava tão preocupado e perguntando se aquilo era normal que eles caíram na gargalhada - afirmou Peu, aos risos.
jardel ex-atacante (Foto: Janir Junior/Globoesporte.com)Jardel nega pérolas e levou caso à Justiça (Foto:
Janir Junior/Globoesporte.com)
Outro considerado ingênuo no mundo da bola que não ligava para as brincadeiras era Garrincha. Em 1958, na Copa da Suécia, quando estava prestes a comprar um rádio e trazer para o Brasil, foi convencido a mudar de ideia porque o rádio não "falaria português". E se Dadá Maravilha, artilheiro e ídolo do Atlético Mineiro e de tantos grandes clubes, batia no peito para confirmar a autoria da frase de que "só três coisas param no ar: helicóptero, beija-flor e Dadá", Jardel, outro bom de cabeça nas áreas adversárias, nega frases polêmicas que lhe foram atribuídas, como "clássico é clássico e vice-versa", "quando o jogo está a mil, a naftalina sobe", e "eu, Paulo Nunes e Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja".
- Não falei nada disso. Nem sei de onde veio. Eu até processei a revista, botei na Justiça. Não lembro de ter dito essas coisas. Mas é claro que, após uma partida, ali no calor, em meio ao assédio dos repórteres, tem gente que se confunde. Acontece. Às vezes o atleta fala o que não deve - disse o ex-jogador, ídolo do Porto, que está em Fortaleza e afirmou não ter faturado ainda a causa.

Quem também não gostou nada dos créditos às "pérolas" foi Nunes. A ele, têm sido atribuídas as frases "A bola ia indo, ia indo, e iu...", "o meu estado não inspira gravidez" e "tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana".
Flamengo Campeões de 81 - Adilio e Nunes (Foto: Fábio Borges/Vipcomm)Nunes (D) nega frases atribuídas a ele. 'Sou macho para assumir o que digo' (Foto: Fábio Borges/Vipcomm)
- É brincadeira. Nunca falei nada disso. Não sei de onde vieram essas histórias. Sou macho o suficiente para assumir o que digo e garanto: jamais declarei isso - afirmou o ídolo rubro-negro, que nem quis comentar sobre a declaração de Mateus, a última a entrar, definitivamente, para a lista das grandes frases do futebol que ninguém disse.
AS GRANDES FRASES QUE NINGUÉM DISSE
"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe."
"Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja."
"O interessante é que aqui no Japão só tem carro importado."
(Atribuídas a Jardel, ex-atacante do Grêmio, Vasco, Porto e Seleção Brasileira. Na primeira frase, trocou adrenalina por naftalina. Na segunda, errou nas contas. Na terceira, esqueceu que estava em outro país).
"Perdi muitos gols, mas não tive oportunidade nenhuma."
"Eu ggggggg... Não, eu vou completar: Eu aaaaaa..."
(Peu, ex-atacante do Fla. Primeiro, tentando justificar os gols perdidos. Depois, gaguejando após pergunta do repórter).
"O que eu achei do jogo? Eu não achei nada, mas o negão ali achou um cordão de ouro no gramado..." (Atribuída a Josimar, ex-lateral do Botafogo e da Seleção Brasileira).
"O que aconteceu aqui é caso de Polícia Federal, de FMI. Voltar pênalti porque a torcida está gritando é brincadeira."
(Dimba, ex-Botafogo e Flamengo, queria se referir ao FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, ao fazer o seu protesto contra a arbitragem. Mas confundiu o FBI com o Fundo Monetário Internacional)
"Estou de regime. O doutor me proibiu de comer bicarbonato."
"A senhora, além de muito bonita, é uma troglodita muito inteligente."
"Deixa de ser burro, Renato. Não existe baleia macho, a baleia transa com o tubarão para ter filhotes!"
"Não sabia que esse negócio de bilhete de bondinho dava tanto dinheiro."
(Atribuídas a Fabio Baiano, ex-Flamengo e Vasco. A primeira frase foi ao justificar não poder comer a macarronada. A segunda, no avião, após saber que a bonita aeromoça era poliglota. A terceira, ao ver um documentário sobre a vida das baleias e ao ouvir Renato Gaúcho comentar que a baleia macho e a fêmea viviam em perfeita harmonia com o filhote. A quarta, ao ouvir do jogador Jamir que o milionário Abílio Diniz era o dono do Pão de Açúcar. Mas do grupo de supermercados...)
"Só posso resumir essa derrota com duas palavras: A-zar!"
(Atribuída a Marinho Chagas, o Bruxa, ex-Botafogo, Fluminense, São Paulo e Seleção Brasileira, após uma derrota do Botafogo)
"A bola ia indo, ia indo, ia indo... e iu!"
"Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana."
"Não moço, meu estado não inspira gravidez".
(Atribuídas a Nunes, ex-Fla, Flu e Atlético-MG. A primeira frase foi sobre uma chance desperdiçada; a segunda foi antes da despedida de Zico; e a terceira, após sair contundido de uma partida).
"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Jesus Cristo nasceu."
(Atribuída a Claudiomiro, ex-Inter de Porto Alegre, ao chegar a Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 1972).
"The football is a little box of surprise."
(Atribuída a Pelé, o Atleta do Século 20, após uma vitória de virada para o Santos, traduzindo o futebolês ao pé da letra. A frase conhecida em português é "o futebol é uma caixinha de surpresas").
"Que campeonatinho mixuruca, nem tem segundo turno!"
(Atribuída a Garrincha, gênio do Botafogo e da Seleção Brasileira, durante a comemoração da conquista da Copa do Mundo em 1958).
"O meu clube estava à beira do abismo, mas tomou a decisão correta e deu um passo à frente."
(Atribuída a João Pinto, ex-Benfica de Portugal).

"A moto eu vou vender, e o rádio eu vou dar para minha avó."
(Atribuída a Biro-Biro, ex-Corinthians, ao responder a um repórter o que faria com o "Motorádio" que ganhou como melhor jogador da partida).
O difícil, como vocês sabem, não é fácil.”
"Quero agradecer à Antarctica pelas brahmas que nos enviou..."
"O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável."
"Depois da tempestade vem a ambulância"
"Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático"
(Atribuídas a Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians, ao recusar a oferta dos franceses pelo jogador).
"Não venham com problemática que eu tenho a solucionática."
(Atribuída a Dadá Maravilha, ex-Atlético Mineiro, Inter, Fla, Bahia, Sport e Seleção Brasileira)
"A partir de agora, meu coração tem uma cor só: é rubro-negro."
(Atribuída a Fabão, ex-Fla e São Paulo, ao chegar ao clube carioca)
"As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe."
(Atribuída a Dunga, ex-técnico da Seleção Brasileira)

Ô, Tovar!…Me traz lá do supermercado um frasco do desodorante IÔIÔ.”
(Atribuída a Manga, ex-Botafogo, Inter e Seleção Brasileiro, ao pedir ao meia colorado que comprasse o desodorante 1010)
"Estou muito feliz de jogar na Sociedade Esportiva Corinthians.”
(Atribuída a Gustavo Nery, ex-Corinthians e Flu, na apresentação no Timão, confundindo o nome do clube com o do Palmeiras, maior rival)..
Eu disconcordo com o que você disse.”
(Atribuída a Vladimir, ex-Corinthians, discordando do repórter. A ironia é que existe o verbo desconcordar, e não disconcordar, e o jogador foi muito criticado pela frase).

"Assinar eu ainda não assinei, mas já acertei tudo bocalmente."
(Atribuída a Pitico, ex-Santos, após acertar a renovação do contrato)
Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar."
(Atribuída a Zanata, ex-lateral do Flu, ao falar sobre a hospitalidade do povo baiano).
"Estou realizando meu sonho de ir jogar no futebol europeu."
(Atribuída Váldson, ex-Bota e Fla, ao trocar o Fla pelo Querétaro, do México).
"Realmente, minha cidade é muito facultativa."
(Atribuída a Elivelton, ex-Cruzeiro e São Paulo, sobre a quantidade de faculdades existentes em sua cidade natal).
"Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da Varig..."
(Atribuída a Mengálvio, ex-Santos, ao avisar à família sobre sua chegada de excursão à Europa)

sexta-feira, 2 de março de 2012

Deputado Federal Jovair Arantes, do PTB-GO, participa de solenidade que nomeia o Deputado Federal Romário presidente de honra da Confederação Brasileira de Futevôlei


Romário é presidente de honra da Confederação Brasileira de Futevôlei
A Confederação Brasileira de Futevolei homenageou nesta terça-feira, 28-02-2012, o deputado federal Romário de Souza Faria, que recebeu oficialmente o título honorífico de presidente de honra da CBFv.
Congresso Futevolei February 28 2012 MG 7119 300x200 Deputado Federal Jovair Arantes, do PTB GO, participa de solenidade que nomeia o Deputado Federal Romário presidente de honra da Confederação Brasileira de Futevôlei
Deputado federal Romário de Souza recebe o título honorífico de presidente de honra da CBFv.  Divulgação CBFv
“É com grande honra e satisfação que assumo esta função, já que o futevôlei na minha vida se tornou o esporte número um. Acredito que eu possa dar mais credibilidade e a gente vai tentar organizar melhor esse esporte que imaginamos ver nas Olimpíadas de 2020”, disse Romário.
“Temos a certeza de que Romário, com tudo o que ele representa para o esporte mundial, vai ser fundamental para nos ajudar a colocar o futevôlei no lugar que merece”, afirmou Ebraim Oliveira Arantes, presidente da CBFv.
A solenidade ocorreu durante o Encontro Brasileiro das Federações de Futevôlei realizado no auditório de um hotel em Brasília – DF. O eterno ídolo do futebol brasileiro passa a ser também Embaixador Mundial do Futevôlei da Federação Internacional de Futevolei (FIFv).
Congresso Futevolei February 28 2012 MG 7112 300x200 Deputado Federal Jovair Arantes, do PTB GO, participa de solenidade que nomeia o Deputado Federal Romário presidente de honra da Confederação Brasileira de Futevôlei “O nosso maior objetivo é inserir o futevôlei no programa olímpico. É preciso muita união de todos envolvidos e a vinda do Romário vai facilitar e agilizar muito esse processo”, Ivandice Araújo de Queiroz, a presidente da FIFv.
A cerimônia contou ainda com a presença de Bernard Rajzman, presidente da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Brasileiro, que representou o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman. Rajzaman ressaltou o potencial que vê no futevôlei como um dos mais promissores esportes para fazer parte das competições olímpicas. Ele disse ainda que a CBFv e FIFv têm total apoio do COB na missão de tornar o futevôlei olímpico. As duas entidades representativas do esporte trabalham para que o futevôlei já apareça nas olimpíadas do Rio2016 em caráter de exibição.
Congresso Futevolei February 28 2012 MG 7130 300x200 Deputado Federal Jovair Arantes, do PTB GO, participa de solenidade que nomeia o Deputado Federal Romário presidente de honra da Confederação Brasileira de Futevôlei
Integrantes da mesa, da esquerda para a direita:
Evandro Rogério Roman, Secretário de Esportes-PR; Jovair Arantes, Deputado Federal-GO; Ebraim Oliveira Arantes, Presidente da CBFv; Romário de Souza Faria, Deputado Federal-RJ e Presidente de Honra CBFv ; Ivandice Araújo de Queiroz, Presidente da FIFv; Ricardo Gomide, representante do ministro do Esporte Aldo Rebelo; José Roberto Athayde Filho, Presidente da Agência Goiana de Esportes e Lazer

quinta-feira, 1 de março de 2012

Operação desarticula quadrilha que explora máquinas caça-níqueis


O Globo
Policiais federais em operação que cumpre 35 mandatos de
prisão por exploração de máquinas Caças-Níqueis
Ketllyn Fernandes
Foi deflagrada no início da manhã desta quarta-feira, 29, a Operação Monte Carlo, cujo objetivo é desarticular a organização que explora, há cerca de 17 anos, máquinas caça-níqueis em Goiás. Trata-se de uma ação em conjunto entre a Polícia Federal e o MPF-GO (Ministério Público Federal em Goiás), com apoio do Escritório de Inteligência da Receita Federal.

Ao todo, estão sendo cumpridos 82 mandados judiciais, dos quais 37 são de busca e apreensão, 35 de prisão e dez ordens de condução coerciva em cinco estados, entre eles Goiás, Distrito Federal (DF) e Rio de Janeiro (RJ). As ordens de prisão foram expedidas pelo juiz Paulo Augusto Moeira, da 11ª Vara Federal de Goiânia. São alvos da operação, além de pessoas relacionadas à exploração do jogo, servidores públicos, como policiais militares e civis. Até o momento, foram cumpridos 31 prisões temporárias, 10 ordens de condução coercitiva, além de buscas e apreensões. Seis casas de jogos foram fechadas, duas em Goiânia e quatro em Valparaíso de Goiás (região do Entorno), tendo sido recolhidas cerca de 200 máquinas caça-níqueis. Conforme as investigações, somente um desses estabelecimentos arrecadou, em seis meses, R$ 3 milhões.

Estão inclusos entre os mandados de prisão já cumpridos o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira - considerado um dos maiores operadores de bingo de Goiás; o empresário e ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Wladmir Garcez;  seis delegados da Polícia Civil de Goiás (Aredes Correia Pires - corregedor-geral da Secretaria de Segurança Pública e Justiça -, Juracy José Pereira - delegado regional da PC em Luziânia -, Niteu Chaves Júnior - titular do 2° DP de Luziânia - , Marcelo Mauad - titular do 2° DP de Valparaíso -, José Luis Martins de Araújo - titular do 1° DP de Águas Lindas de Goiás -, e Hylo Marques Pereira - titular da Delegacia de Alexânia); dois delegados da PF lotados em Goiânia (Deuselino Valadares e Fernando Bayron); um capitão; um major; dois sargentos; três tenentes-coronéis (entre eles Sérgio Katayama, comandante do Comando do Policiamento da Capital); 18 soldados da PM goiana e quatro cabos. Também estão entre os servidores públicos envolvidos no esquema um policial rodoviário e um servidor da Justiça do Estado de Goiás. Eles recebiam propinas mensal e semanalmente para trabalharem para a organização criminosa.

Algumas identidades dos envolvidos ainda não foram oficialmente divulgadas, pois o processo segue em segredo de Justiça. Sobre seu suposto envolvimento, o coronel Sérgio Katayama declarou ao Jornal Opção que não sabe porque seu nome está sendo citado na lista dos envolvidos. Entretanto, ele entregou o cargo durante a tarde desta quarta-feira, para que as investigações corressem com a devida transparência. O sub-comandante do CPC, Márcio Gonçalves Queiroz, assumiu o cargo interinamente.

Segundo as investigações, iniciadas há 15 meses, existe uma forma de franquia para este tipo de crime, em que o chefe da quadrilha concedia licenças de exploração dos pontos para proprietários de galpões clandestinos sediados em Goiânia e Valparaíso de Goiás. Nesse contexto, policiais civis e militares realizavam o serviço de fechar locais que não possuíssem a autorização do chefe da quadrilha.

Carlinhos Cachoeira

Na capital goiana, o comando era liderado por Carlinhos Cachoeira, que devido ao seu forte poderio econômico, determinava a abertura e o fechamento de pontos de jogos em Goiânia. Ele foi preso em sua residência, no condomínio Alphaville em Goiânia, onde também foram apreendidos, além de computadores, joias e documentos, R$ 180 mil em espécie. Os policiais que executaram a prisão relataram que ele não esboçou nenhuma reação no momento e que se recusou a prestar depoimento, declarando que só falaria sobre as acusações em juízo. Cachoeira foi levado para a Superintendência da PF, em Brasília, e de lá deverá ser transferido para um presídio Federal de segurança máxima.

Cachoeira ficou conhecido nacionalmente em 2004, após ter divulgado um vídeo sobre o escândalo Waldomiro Diniz, então assessor da Casa Civil. De acordo com a PF, ele está sendo acusado de subornar servidores públicos, policiais e autoridades para garantir a livre exploração de caca-níqueis próprios e destruir eventuais concorrentes. "Ele é suspeito também de pagar a policiais para receber com antecedência informações sobre fiscalizações contra as casas de jogos ilegais", informam.

Operação Monte Carlo

Conforme o delegado da PF Matheus Rodrigues, que coordenou a operação, os envolvidos nunca tiveram se quer uma ação contra eles, por contarem com a conivência de policiais militares, civis, rodoviários e federais. "Os policiais eram pagos para que os criminosos pudessem fazer a exploração sem intervenção”, disse. Rodrigues ressaltou que em 2006  foi realizada uma tentativa de desarticulação da quadrilha, porém a informação vazou.

De acordo com o delegado, há registros de propina de R$ 200 a R$ 300 por dia paga a soldados, que também recebiam uma quantia para abastecerem as viaturas para fazerem a ronda. Já os delegados da PC recebiam cerca de R$ 4 mil mensais. Existia no esquema uma espécie de hierarquia, em que o valor da propina paga dependia do grau de influência do envolvido. Os procuradores Daniel Resende Salgado e Léa Batista de Oliveira, responsáveis pelo caso, acreditam que a organização estava em atividade há mais de uma década. Dessa forma, a infiltração de aliados de Cachoeira na administração pública teria sido um dos grandes obstáculos ao andamento das investigações. 

Presos e indiciados responderão, na medida do envolvimento confirmado de cada um, por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo profissional, evasão de divisas e contravenção penal de exploração de jogo de azar. 

Apesar da coincidência com o nome do principal acusado [Carlos Cachoeira], a escolha da denominação Monte Carlo para a operação diz respeito aos 11 bairros do principado de Mônaco que levam esse nome e que são conhecidos pela grande quantidade de cassinos.