sábado, 17 de março de 2012

Romário: Brasil passará ‘vergonha’, Copa será uma ‘merda’ e haverá ‘o maior roubo’ em obras


Brasil passará ‘vergonha
Ao migrar dos gramados para o tapete da Câmara, Romário trocou os pés pela língua. Mas não perdeu o cacoete de atacante. Neste sábado (17), o deputado pedurou em sua página noFacebook  comentários ácidos sobre a Copa de 2014.
“É uma pena ouvir nas rádios, ver na TV, abrir os jornais e ler que o governo federal se uniu à Fifa para que a Copa do Mundo seja a maior de todos os tempos. Uma mentira descabida! Não será a melhor e nós vamos passar vergonha”, anotou.
Queixou-se da ausência de representantes do Congresso na audiência concedida na véspera por Dilma Rousseff ao presidente da Fifa, Joseph Blatter. “Se continuar acontecendo coisas erradas e estranhas como esse encontro do Blatter com pessoas que não são ligadas a Lei Geral da Copa, ela será uma merda.”
Romário (PSB-RJ) foi à canela: “O governo federal está enganado o povo. E a presidente Dilma está sendo enganada ou se deixando enganar.” Convocou as arquibancadas: “Brasileiros, continuem cobrando e se manifestando, porque essa palhaçada vai piorar quando tiver a um ano e meio da Copa.”
Pisou na rótula: “O pior ainda está por vir, porque o governo deixará que aconteçam as obras emergenciais, as que não precisam de licitações. Aí vai acontecer o maior roubo da história do Brasil.”
Romário prosseguiu: depois da violação das arcas, “eu quero ver se as pessoas que apareceram sorrindo na foto durante a reunião de ontem [de Dilma com Blatter] vão querer aparecer. Esse Brasil é um circo e os palhaços vocês sabem bem quem são.”
Deve-se o destampatório de Romário à composição da mesa do Planalto. Referiu-se à reunião como uma dessas “coisas que só acontecem no nosso país”. Percorreu a lista dos presentes: “O presidente da Fifa vem ao Brasil e se encontra com a presidente Dilma. Até ai perfeito!”
“Nesse encontro estão presentes Aldo Rebello, ministro dos Esportes, ok; Pelé, embaixador honorário do Brasil para a Copa do Mundo de 2014, ok; Ronaldo, conselheiro do Comitê Organizador Local (COL), ok. Só uma pergunta: qual dessas pessoas têm a ver com a Lei Geral da Copa? Nenhuma.”
Listou os ausentes: “O presidente da comissão da Lei Geral da Copa, Renan Filho [PMDB-AL], não estava lá. O relator da Lei da Copa, Vicente Cândido [PT-SP], também não. O presidente da Casa onde será votada a lei, Marco Maia [PT-RS], também não estava presente.”
Tomado pelas palavras, Romário avalia que ele próprio deveria ter recostado os cotovelos na mesa de reuniões do Planalto: “Muitos outros que têm muito a ver com a Lei Geral da Copa não estavam presentes.” Voltou a mirar a canela: “Na minha concepção de político, a política vai de mal a pior.”
De novo, foi para a galera: “O povo tem total razão de reivindicar e cobrar principalmente mais seriedade e responsabilidade das pessoas que tem autonomia para decidir coisas importantes como essa (Copa do Mundo).”
Terminado o encontro do Planalto, o ministro Aldo Rebelo levou Joseph Blatter ao encontro de um grupo de deputados. Entre eles alguns dos que Romário gostaria que tivessem participado da reunião do Planalto –o presidente da Câmara Marco Maia, por exemplo.
Rebelo, Blatter e os deputados trocaram afagos e sorrisos ao redor de espetos de picanha. A julgar por sua manifestação radioativa, Romário parece avaliar que a Lei Geral da Copa mereceria um encontro mais formal. Uma reunião em que a conversa não fosse entrecortada pela mastigação do churrasco.

Cadeia não resolve o problema da corrupção', defendem juristas em SP


Bruno Lupion - estadão.com.br
SÃO PAULO - Se houvesse a 'Copa do Mundo' da ética pública, que premiasse a nação menos corrupta, o Brasil estaria em maus lençóis. Em 2011, o País perdeu quatro posições no Índice de Percepção de Corrupção, desenvolvido pela ONG Transparência Internacional: caiu do 69° para o 73° lugar, entre 182 países pesquisados. Na escala de 0 a 10, levamos nota 3,8, bem abaixo de outros países do continente. O Chile recebeu nota 7,2 e está no 22° lugar, e o Uruguai, com nota 7, tem a 25° posição.
Para juristas e cientistas políticos reunidos no II Congresso contra a Corrupção, que ocorre neste sábado, 17, na Câmara Municipal de São Paulo, é ilusão acreditar que esse cenário será revertido enviando mais corruptos para a cadeia - pois a chance de isso ocorrer, no Brasil, é mínima. O caminho para reduzir a impunidade, segundo eles, é criar mecanismos de mediação e conciliação entre acusados e Ministério Público (MP), aplicando penas alternativas, como devolução do dinheiro desviado, perda dos direitos políticos e proibição de sair do País.
"A Justiça brasileira não manda o rico preso. Se o juiz de baixo manda prender, o do tribunal manda soltar. Não nos iludamos com o discurso do cadeião", alertou o jurista Luiz Flávio Gomes, membro da Comissão de Reforma do Código de Processo Penal. Ele se diz "descrente" com a Justiça brasileira e afirma que só com soluções mais dinâmicas, como o acordo entre acusação e acusado, será possível punir corruptos com rapidez e reduzir a sensação de impunidade.
Esse modelo já é utilizado em países como os Estados Unidos, Itália e Alemanha. Neles, a Promotoria, munida de provas da corrupção, pode chamar o acusado para uma negociação com o objetivo de ressarcir os danos ao erário público e aplicar uma pena alternativa. Se o corrupto concorda, os efeitos são imediatos e o processo é extinto. O Brasil tem um mecanismo semelhante, chamado "transação penal", mas só para crimes de menor potencial ofensivo, com pena máxima inferior a dois anos. Para os juristas reunidos no Congresso, esse caminho precisa ser ampliado.
Gomes cita como exemplo o julgamento do Mensalão, que tramita desde 2007 no Supremo Tribunal Federal e ainda não tem data para terminar. Dos quarenta réus denunciados pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, apenas um já cumpriu sua pena, beneficiado pela transação penal: o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira. Ele fechou um acordo com o MP pelo qual se comprometeu a prestar 750 horas de serviço comunitário, se apresentar mensalmente perante um juiz e informar a Justiça sobre viagens longas ou para fora do País. "Se todos tivessem tido a possibilidade de acordo, pode ser que há seis anos todos já estivessem punidos. E hoje estaríamos falando de outros mensalões", disse Gomes.
A jurista Ada Pellegrini Grinover, em vídeo transmitido no Congresso, reforçou a defesa dos acordos entre o Ministério Público e corruptos. "É muito melhor que haja uma punição menor, que vai afetar de alguma forma a vida e a personalidade daquele que aceita a pena, do que a impunidade que temos hoje", disse.
A reforma do Código de Processo Penal, atualmente em trâmite no Congresso Nacional, é uma "oportunidade de ouro" para incluir na lei mecanismos mais céleres de combate à corrupção, segundo o promotor de Justiça Roberto Tardelli. "Hoje não há vantagem para alguém confessar seu crime. Só vamos conseguir agilizar os processos se dermos ao Ministério Público a possibilidade de negociação", disse.
Movimento. O II Congresso contra a Corrupção é realizado pelo movimento NASRUAS, deflagrado há um ano com o objetivo de organizar passeatas no dia 7 de setembro de 2011 em diversas cidades do País. Desde então, o movimento tem articulado entidades e ONGs que trabalham com o tema da corrupção e organizado congressos com especialistas para debater e definir propostas de atuação.
Para 2012, o NASRUAS definiu como prioridades a defesa da Lei da Ficha Limpa, a pressão por maior celeridade no julgamento de casos de corrupção, a defesa do voto aberto obrigatório no Congresso, o acompanhamento da evolução patrimonial de gestores públicos e a inclusão da disciplina "Cidadania, Ética e Ensino Político" na grade curricular do Ensino Médio. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

98,9% dos advogados consideram Justiça brasileira lenta


Apenas 1,1% dos advogados brasileiros consideram a Justiça do país rápida. Dos 98,9% restantes, 30,4% qualificaram-na como lenta e 68,5%, como muito lenta.
Os resultados são de uma pesquisa realizada pela Fundace, fundação ligada à FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) da USP de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo).
Segundo a fundação, aproximadamente 15 mil advogados foram consultados durante o segundo semestre de 2011.
Questionados sobre as causas da morosidade, os motivos mais apontados pelos advogados foram a insuficiência do número de servidores públicos, a falta de infraestrutura do judiciário, o excesso de burocracia e a falta de empenho dos servidores.
CONFIANÇA EM QUEDA
A partir dos resultados da pesquisa, a Fundace elabora também um "índice de confiança" dos advogados na Justiça.
Composto por sete indicadores (igualdade de tratamento, eficiência, honestidade, rapidez, custos, acesso e a evolução do sistema nos próximos cinco anos), o índice teve uma queda de 4,6% em comparação com a pesquisa anterior.
No primeiro semestre de 2011, o índice de confiança havia sido calculado em 32,7%, em uma escala de 0 a 100. Agora, a confiança dos advogados na Justiça foi estimada em 31,2%.
íntegra da pesquisa  está disponível na página da Fundace.

OAB critica decisão do TSE de restringir Twitter


Luciana Nunes Leal e Fábio Grellet
O presidente da Comissão Especial de Direito Eleitoral e Reforma Política da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Luiz Viana Queiroz, criticou nesta sexta-feira, 16, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de restringir o conteúdo do Twitter dos pré-candidatos nestas eleições. "Não existe democracia sem liberdade de manifestação. As pessoas têm o direito de se comunicar. Uma pessoa não pode dizer que é candidata? Vai chegar o momento em que os pré-candidatos não poderão aparecer até o dia 6 de julho", afirmou.
Veja também: 

Viana Queiroz destaca o fato de que a decisão interfere em uma relação direta do político com seus seguidores. "É um equívoco porque limita um instrumento de comunicação pessoal e não de mídia. A manifestação no Twitter não vai para todo o universo de eleitores, mas para aqueles com os quais está estabelecido um link. As regras da propaganda primam pela igualdade entre os candidatos e pelo controle o abuso do poder econômico e de comunicação. Esta limitação atinge a liberdade de comunicação e não limita o abuso do poder econômico", diz o conselheiro da OAB. Ele ressalta ainda a dificuldade de rastrear as redes sociais. "É uma furada homérica do TSE. Não há como controlar", conclui.
O advogado Alberto Rollo, presidente do Instituto de Direito Político Eleitoral e Administrativo (Idipea), também defende o contato dos pré-candidatos com seus seguidores no Twitter. "Uma coisa é a pessoa estar ouvindo rádio ou vendo TV e um candidato aparecer numa propaganda pedindo votos. O eleitor não estava necessariamente esperando essa propaganda, que surgiu sem que ele expressasse sua vontade de ver ou ouvir seu conteúdo. Já no Twitter o eleitor só vai receber a mensagem se for um seguidor do perfil do pré-candidato. Portanto, depende de um ato voluntário do eleitor. É uma situação diferente daquela que envolve o espectador ou o ouvinte", afirma Rollo.
Sócio-fundador do Instituto de Direito Político e Eleitoral, Eduardo Nobre diz que o Twitter "é como uma reunião de amigos em que alguém pede votos" e portanto não deve ser limitado. Já o ex-ministro do TSE Fernando Neves compara um post no Twitter a uma faixa em um condomínio fechado. "É proibido, antes de 6 de julho, pôr uma faixa pedindo votos no condomínio de acesso limitado. O que é um (post no) Twitter senão uma faixa de 120 caracteres?", compara Neves. Para o advogado, a intenção do tribunal foi garantir os limites da propaganda eleitoral, a fim de evitar abusos em outros meios. "Senão, daqui a pouco estariam distribuindo santinhos nas ruas", diz. O ex-ministro é defensor de uma alteração na lei de modo a ampliar o período da propaganda. "Sabemos em maio, junho, a campanha já está na rua", argumenta.
Procurador regional eleitoral do Rio, Maurício da Rocha Ribeiro elogiou a decisão do TSE. "Não precisa ser seguidor no Twitter para ver o que uma pessoa está dizendo. Não pode usar o Twitter sem restrição, porque haverá propaganda dissimulada. O pré-candidato pode usar a ferramenta para fins sociais, mas não políticos", sustenta o procurador.
Rocha Ribeiro recomendou que os técnicos da procuradoria acompanhem o Twitter dos pré-candidatos do Rio. "Sei que não há como monitorar todos os pré-candidatos a vereador, mas pelo menos a prefeito nós vamos acompanhar", afirmou. No início deste mês, o procurador alertou a promotoria eleitoral do Estado para o programa de TV do DEM. "O pré-candidato a prefeito Rodrigo Maia ocupou todo o espaço do programa, deu o endereço no Twitter e pediu que as pessoas fizessem denúncias" disse Rocha Ribeiro.
Maia reagiu: "O procurador está interpretando errado a decisão do TSE. Não posso pedir votos, e não pedi. Mas não posso ser impedido de exercer o meu mandato, de fazer política. Senão, o Eduardo (prefeito Eduardo Paes) não pode inaugurar uma obra. Isso também traz um benefício eleitoral. E ele ainda divulga no Twitter." 

terça-feira, 6 de março de 2012

Na Câmara, Romário analisa primeiro ano como deputado federal


Na Câmara, Romário analisa primeiro ano como deputado federal
O deputado federal Romário subiu à tribuna na tarde desta terça-feira (6) para analisar seu primeiro ano como parlamentar. Eleito no estado do Rio de Janeiro pelo PSB, o ex-jogador obteve mais de 150 mil votos nas eleições de 2010. 

“Entrei para a política com três bandeiras, que agora são quatro: a defesa das pessoas com deficiência, das pessoas com doenças raras, combate às drogas e a fiscalização dos preparativos da Copa do Mundo. Fico feliz em saber que nada me tirou do meu foco e nada vai me tirar” 

Em pouco mais de um ano como deputado, Romário já obteve conquistas significativas. Atualmente o deputado é vice-presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Casa, vice-presidente da Frente Parlamentar da Pessoa com Deficiência e diretor de Assuntos Esportivos e Acessibilidade da Frente Parlamentar da Atividade Física. 
 
Pai da pequena Ivy, portadora de síndrome de down, Romário dedica atenção especial às ações para melhoria de vida das pessoas especiais. Em julho o deputado atuou diretamente na aprovação de duas emendas à Medida Provisória 529. 

Na prática, as emendas permitem que o portador de deficiência contratado como aprendiz acumule salário e Benefício de Prestação Continuada (BPC) por até dois anos e inclui como dependentes de contribuinte as pessoas com deficiência mental ou intelectual. A inserção é válida para fins de recebimento de pensão por morte ou invalidez, independente da idade.  

Fiscalização da Copa

“Quem acompanha meu trabalho tem visto o empenho na fiscalização dos preparativos da Copa. Sou um apaixonado por futebol e devo muito a esse esporte”, disse o deputado. Embora ávido para que o país realize um grande Mundial, Romário teme que o principal torneio de futebol entre seleções seja realizado “de forma escusa, desonesta e desrespeitosa”. “(...) Um desperdício de dinheiro público, que é nosso e vai fazer falta lá na frente, na saúde, educação, nos transportes, na segurança, acessibilidade e outras coisas mais”. 

Durante a fala, Romário se disse preocupado quanto ao legado da Copa nas áreas de mobilidade, acessibilidade, transportes e uso posterior das arenas sedes dos jogos do campeonato. 

“Considero um absurdo gastar mais de R$ 1 bilhão para descaracterizar um estádio como o Maracanã com toda sua importância e sua história”

Favelização

A desapropriação de famílias para as obras da Copa também foi pauta do discurso de Romário, por temor ao crescimento da “favelização das cidades”. 

“Sou um deputado que veio da favela e sei que o legado da Copa não pode ser, de maneira alguma, o aumento da favelização das cidades brasileiras”. 

Em 2011, veicularam na imprensa várias denúncias de abusos do poder público nas desapropriações para o Mundial. O assunto já fora tema de discursos de Romário na Câmara em julho do mesmo ano.
 
Ainda durante a fala, o deputado fez um alerta quanto ao crescimento do número de usuários de drogas, enaltecendo que tem se colocado como porta-voz, seja disponibilizando sua imagem ou realizando palestras junto aos jovens, para aconselhar e ajudar na solução do problema. ]

Acompanhe abaixo o discurso de Romário na íntegra
 


sábado, 3 de março de 2012

As grandes frases folclóricas do futebol que ninguém disse


Após o 'só bate quem erra' de Mateus, pérolas antigas têm autoria negada por Nunes e Jardel, que já processou até revista. Peu assume: 'Errei, errei'.

Por GLOBOESPORTE.COMRio de Janeiro

Mateus não estava em Belém "orgulhoso por jogar na terra em que Jesus Cristo nasceu". O volante do Caxias nem considerou que "clássico é clássico e vice-versa" ou saiu de campo dizendo que a "quando o jogo está a mil, a naftalina sobe". Sequer reclamou da arbitragem afirmando que "é caso de Polícia Federal, de FMI". Também não tentou justificar o pênalti perdido contra o Novo Hamburgo, na final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho, em duas palavras: "A zar." Mas, ao afirmar que "só bate quem erra", também virou folclore dos "grandes frasistas" do futebol.
O time poderia, caso fossem confirmadas as autorias, ser escalado com Manga, Fábio Baiano, Fabão, Valdson e Marinho Chagas; Biro-Biro, Peu e Pelé; Garrincha, Nunes e Jardel. No banco, Claudiomiro, Dimba, Dadá Maravilha, Zanata, Mengálvio e até um português, João Pinto. Uma seleção à qual é atribuído vasto repertório de tropeços no idioma, confusões e tiradas divertidas. Afinal, após os 90 minutos de uma partida - ou até antes -, tudo é possível diante dos microfones da TV e do rádio ou dos gravadores de jornais, revistas e sites.
ilustração frases futebol (Foto: arte Esporte / Cláudio Roberto)Excesso de microfones cria tensão e leva ao erro, dizem jogadores (Foto: arte Esporte / Cláudio Roberto)
É claro que alguns casos, com o tempo, nem são tão confiáveis por serem creditados a mais de um jogador. E poucos assumem a autoria. Alguns ex-atletas a negaram com veemência, como Nunes, atacante do Flamengo nos anos 1980, e Jardel, decisivo no Vasco, Grêmio e Porto. Quem reconheceu a "culpa" não escondeu a tensão com o forte assédio por uma declaração bombástica que acaba sendo por vezes trágica.
- Eu ficava nervoso mesmo, confesso. Já era gago, o que me complicava ainda mais. Quando via aquela quantidade enorme de repórteres  em cima de mim, me enrolava todo. Uma vez, o Kleber Leite (ex-presidente do Flamengo), na época repórter, veio me entrevistar. Fez tanta pergunta que eu me enrolei. E aí acabei dizendo que perdi muitos gols, mas não tive oportunidade nenhuma. Na outra vez, com o mesmo Kleber, eu gaguejei na primeira resposta: 'Eu gggggg...' Ele fez outra pergunta: 'Eu aaaaaa.....' Ele desistiu e disse 'É isso aí, Peu, muito obrigado!'. Fazer o quê? Errei, errei - disse o ex-jogador do Flamengo nos anos 1980.
peu festa flamengo mundial festa (Foto: André Durão/Globoesporte.com)Peu confessa erros ao microfone: 'Eu me enrolava
todo' (Foto: André Durão/Globoesporte.com)
Peu era vítima de várias pegadinhas dos jogadores do Flamengo. Zico, Junior, Raul e Leandro sempre gostavam de brincar com o então garoto que chegou de Maceió. Histórias como a do avião, em que Junior, na viagem para a decisão do Mundial de Clubes em Tóquio, convenceu o alagoano a raspar o bigode que seria proibido no país do Oriente, ajudaram a dar mais sabor ao folclore. Tudo no maior bom humor.

- Muita coisa eu falava errado porque não conhecia. Uma vez eles me levaram para a sauna. Ficaram batendo papo, e aquele vapor aumentando. Eu não sabia daquilo. Comecei a reclamar do calor. Eles continuavam conversando. Aí, teve uma hora que eu estava tão preocupado e perguntando se aquilo era normal que eles caíram na gargalhada - afirmou Peu, aos risos.
jardel ex-atacante (Foto: Janir Junior/Globoesporte.com)Jardel nega pérolas e levou caso à Justiça (Foto:
Janir Junior/Globoesporte.com)
Outro considerado ingênuo no mundo da bola que não ligava para as brincadeiras era Garrincha. Em 1958, na Copa da Suécia, quando estava prestes a comprar um rádio e trazer para o Brasil, foi convencido a mudar de ideia porque o rádio não "falaria português". E se Dadá Maravilha, artilheiro e ídolo do Atlético Mineiro e de tantos grandes clubes, batia no peito para confirmar a autoria da frase de que "só três coisas param no ar: helicóptero, beija-flor e Dadá", Jardel, outro bom de cabeça nas áreas adversárias, nega frases polêmicas que lhe foram atribuídas, como "clássico é clássico e vice-versa", "quando o jogo está a mil, a naftalina sobe", e "eu, Paulo Nunes e Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja".
- Não falei nada disso. Nem sei de onde veio. Eu até processei a revista, botei na Justiça. Não lembro de ter dito essas coisas. Mas é claro que, após uma partida, ali no calor, em meio ao assédio dos repórteres, tem gente que se confunde. Acontece. Às vezes o atleta fala o que não deve - disse o ex-jogador, ídolo do Porto, que está em Fortaleza e afirmou não ter faturado ainda a causa.

Quem também não gostou nada dos créditos às "pérolas" foi Nunes. A ele, têm sido atribuídas as frases "A bola ia indo, ia indo, e iu...", "o meu estado não inspira gravidez" e "tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana".
Flamengo Campeões de 81 - Adilio e Nunes (Foto: Fábio Borges/Vipcomm)Nunes (D) nega frases atribuídas a ele. 'Sou macho para assumir o que digo' (Foto: Fábio Borges/Vipcomm)
- É brincadeira. Nunca falei nada disso. Não sei de onde vieram essas histórias. Sou macho o suficiente para assumir o que digo e garanto: jamais declarei isso - afirmou o ídolo rubro-negro, que nem quis comentar sobre a declaração de Mateus, a última a entrar, definitivamente, para a lista das grandes frases do futebol que ninguém disse.
AS GRANDES FRASES QUE NINGUÉM DISSE
"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe."
"Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja."
"O interessante é que aqui no Japão só tem carro importado."
(Atribuídas a Jardel, ex-atacante do Grêmio, Vasco, Porto e Seleção Brasileira. Na primeira frase, trocou adrenalina por naftalina. Na segunda, errou nas contas. Na terceira, esqueceu que estava em outro país).
"Perdi muitos gols, mas não tive oportunidade nenhuma."
"Eu ggggggg... Não, eu vou completar: Eu aaaaaa..."
(Peu, ex-atacante do Fla. Primeiro, tentando justificar os gols perdidos. Depois, gaguejando após pergunta do repórter).
"O que eu achei do jogo? Eu não achei nada, mas o negão ali achou um cordão de ouro no gramado..." (Atribuída a Josimar, ex-lateral do Botafogo e da Seleção Brasileira).
"O que aconteceu aqui é caso de Polícia Federal, de FMI. Voltar pênalti porque a torcida está gritando é brincadeira."
(Dimba, ex-Botafogo e Flamengo, queria se referir ao FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, ao fazer o seu protesto contra a arbitragem. Mas confundiu o FBI com o Fundo Monetário Internacional)
"Estou de regime. O doutor me proibiu de comer bicarbonato."
"A senhora, além de muito bonita, é uma troglodita muito inteligente."
"Deixa de ser burro, Renato. Não existe baleia macho, a baleia transa com o tubarão para ter filhotes!"
"Não sabia que esse negócio de bilhete de bondinho dava tanto dinheiro."
(Atribuídas a Fabio Baiano, ex-Flamengo e Vasco. A primeira frase foi ao justificar não poder comer a macarronada. A segunda, no avião, após saber que a bonita aeromoça era poliglota. A terceira, ao ver um documentário sobre a vida das baleias e ao ouvir Renato Gaúcho comentar que a baleia macho e a fêmea viviam em perfeita harmonia com o filhote. A quarta, ao ouvir do jogador Jamir que o milionário Abílio Diniz era o dono do Pão de Açúcar. Mas do grupo de supermercados...)
"Só posso resumir essa derrota com duas palavras: A-zar!"
(Atribuída a Marinho Chagas, o Bruxa, ex-Botafogo, Fluminense, São Paulo e Seleção Brasileira, após uma derrota do Botafogo)
"A bola ia indo, ia indo, ia indo... e iu!"
"Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana."
"Não moço, meu estado não inspira gravidez".
(Atribuídas a Nunes, ex-Fla, Flu e Atlético-MG. A primeira frase foi sobre uma chance desperdiçada; a segunda foi antes da despedida de Zico; e a terceira, após sair contundido de uma partida).
"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Jesus Cristo nasceu."
(Atribuída a Claudiomiro, ex-Inter de Porto Alegre, ao chegar a Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 1972).
"The football is a little box of surprise."
(Atribuída a Pelé, o Atleta do Século 20, após uma vitória de virada para o Santos, traduzindo o futebolês ao pé da letra. A frase conhecida em português é "o futebol é uma caixinha de surpresas").
"Que campeonatinho mixuruca, nem tem segundo turno!"
(Atribuída a Garrincha, gênio do Botafogo e da Seleção Brasileira, durante a comemoração da conquista da Copa do Mundo em 1958).
"O meu clube estava à beira do abismo, mas tomou a decisão correta e deu um passo à frente."
(Atribuída a João Pinto, ex-Benfica de Portugal).

"A moto eu vou vender, e o rádio eu vou dar para minha avó."
(Atribuída a Biro-Biro, ex-Corinthians, ao responder a um repórter o que faria com o "Motorádio" que ganhou como melhor jogador da partida).
O difícil, como vocês sabem, não é fácil.”
"Quero agradecer à Antarctica pelas brahmas que nos enviou..."
"O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável."
"Depois da tempestade vem a ambulância"
"Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático"
(Atribuídas a Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians, ao recusar a oferta dos franceses pelo jogador).
"Não venham com problemática que eu tenho a solucionática."
(Atribuída a Dadá Maravilha, ex-Atlético Mineiro, Inter, Fla, Bahia, Sport e Seleção Brasileira)
"A partir de agora, meu coração tem uma cor só: é rubro-negro."
(Atribuída a Fabão, ex-Fla e São Paulo, ao chegar ao clube carioca)
"As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe."
(Atribuída a Dunga, ex-técnico da Seleção Brasileira)

Ô, Tovar!…Me traz lá do supermercado um frasco do desodorante IÔIÔ.”
(Atribuída a Manga, ex-Botafogo, Inter e Seleção Brasileiro, ao pedir ao meia colorado que comprasse o desodorante 1010)
"Estou muito feliz de jogar na Sociedade Esportiva Corinthians.”
(Atribuída a Gustavo Nery, ex-Corinthians e Flu, na apresentação no Timão, confundindo o nome do clube com o do Palmeiras, maior rival)..
Eu disconcordo com o que você disse.”
(Atribuída a Vladimir, ex-Corinthians, discordando do repórter. A ironia é que existe o verbo desconcordar, e não disconcordar, e o jogador foi muito criticado pela frase).

"Assinar eu ainda não assinei, mas já acertei tudo bocalmente."
(Atribuída a Pitico, ex-Santos, após acertar a renovação do contrato)
Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar."
(Atribuída a Zanata, ex-lateral do Flu, ao falar sobre a hospitalidade do povo baiano).
"Estou realizando meu sonho de ir jogar no futebol europeu."
(Atribuída Váldson, ex-Bota e Fla, ao trocar o Fla pelo Querétaro, do México).
"Realmente, minha cidade é muito facultativa."
(Atribuída a Elivelton, ex-Cruzeiro e São Paulo, sobre a quantidade de faculdades existentes em sua cidade natal).
"Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da Varig..."
(Atribuída a Mengálvio, ex-Santos, ao avisar à família sobre sua chegada de excursão à Europa)